quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Aurivânio Andrade Homenageia grandes professores que já lecionaram na comunidade de Viçosa. Confira o texto do mesmo na integra!


  Os MEUS saudosos professores da minha antiga escola primária.

Vasculhando com a “vassoura da saudade”, as prateleiras imaginárias da minha aguçada memória, por sinal, onde guardo até hoje, as lembranças do meu inesquecível tempo de criança, encontrei um arquivo ainda intacto, porém, já um pouco amarelado pelas garras facínoras do tempo datado de 1980 e alguma coisa; e, ao abri-lo, estava lá, além de parte da minha infância, parte também da história dos meus SAUDOSOS e INESQUECÍVEIS PROFESSORES da minha antiga e saudosa escola primária, que apresentarei agora, de maneira INÉDITA aos meus RARÍSSIMOS leitores.
Épocas de anos difíceis por aqui. Sobrevivíamos a várias secas, dentre estas, a de 1981, 1982 e 1983. A primeira foi denominada pelos camponeses de “SECA VERDE”. Essa expressão cultural “seca verde” originou-se devido às poucas chuvas ocorrida no nosso sertão, deixando apenas a vegetação, um pouco verde. Muitos jovens haverão de perguntar: E o que isso tem haver? De pronto respondo: Depende. Pra geração daquela época, que vivia exclusivamente do meio rural, TUDO. Se fosse ao tempo da geração de hoje, talvez, NADA.
A primeira seca(verde) que presenciei ocorrera ano 1981. Não lembro com riqueza de detalhes, uma vez que eu era muito pequeno. A única coisa que me lembro, é que apesar da minha saudosa MÃE “Dona Bernadeth” me educar em casa; nesse dito ano, eu começava a frequentar, pela primeira vez, a minha 1ª Série primária no meu saudoso Grupo Escolar.
A seca de 1982 ocorrera no estão governo do atual Senador e Governador à época, José Agripino Maia. A mesma fora marcada por diversas frentes de trabalho, a qual era inspecionada pelo - DENOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Essas frentes de trabalho era uma espécie de “socorro emergencial”, cujo objetivo era “socorrer” e "iscar" o voto dos camponeses e de suas famílias. Esse ato político se materializava com as distribuições dessas “frentes de trabalho” denominadas de“EMERGÊNCIA” onde os trabalhadores HOMENS, ADOLESCENTES e MULHERES; sim, MULHERES, eram inscritos ou “alistados” para trabalharem nas feituras de estradas, açudes, cacimbões etc.: Por sua vez, estes, eram remunerados com uma quantia em dinheiro, chamada de “PAGA” e uma espécie de “cesta básica” que tinha como principal gênero alimentício o conhecido e “desgraçado” feijão preto. Quem tem 40 anos ou mais, sabe o que estou dizendo. Confesso que o gosto amargo daquele “desgraçado” tipo de feijão, me persegue até hoje, quando lembro que mesmo sem gostar eu era “OBRIGADO” a come-lo. Sobrevivido o ano de 1982, ou melhor, a seca de (82), havia rumores de que outra terrível seca nos castigava pela frente. E para mais um martírio nosso, a miserável e anunciada seca ocorrera. Era o ano de 1983. A notícia de mais essa seca, só era amenizada por outra notícia, qual seja a construção da tão sonhada e ainda (HOJE) decepcionada, obras do Açude Forquilha que apesar de ter as suas obras ainda iniciadas no dito ano, a mesma não pode ser concluída devido o inverno rigoroso do ano seguinte (1984). Este ultimo (inverno), veio para aliviar e quem sabe até, salvar a minha tão sofrida e já massacrada geração. Durante o inicio das obras, nós estudávamos no pátio da nossa Escola – Escola Estadual Ozéas Gomes, Por sinal, ela era naquela época, referência na EDUCAÇÃO infanto juvenil da nossa cidade. A mesma compunha-se de uma estrutura física muito pequena: Uma cozinha, uma pequenina sala onde funcionava a Secretaria, dois banheiros, duas salas de aula e um pequeno galpão que servia para a nossa recreação. Todavia, a mesma (escola), contava com três turmas por turno, ou melhor – Séries: A 1ª, a 2ª e 3ª Série. Sendo esta ultima ministrada do galpão. Durante o inicio das obras do referido Açude, o vai e vem das bicicletas ou que fossem de animais passando ao lado do nosso Grupo Escolar e a voz eloquente do nosso professor, quebravam o silêncio da nossa improvisada “sala de aula”. No entanto, como os meninos daquela época também gostavam de velocidade, corríamos todos para subir no muro baixo da escola para vermos aqueles trabalhadores passarem com suas sucateadas bicicletas Monark, cuja aparência das mesmas (bicicletas) somente se assemelhavam com as fisionomias de cansaço e da necessidade de alimentos dos seus donos.
Ao reescrever o primeiro parágrafo do meu arquivo, amarelado pelo tempo, como já foi falado, mas protegido por quem tem o compromisso de homenagear, agradecer e tirar do anonimato o meu povo, eu não poderia e nem deveria deixar de registrar aqui a IMPORTANTÍSSIMA contribuição que os meus PROFESSORES PRIMÁRIOS me deram, para ser o CIDADÃO CONSCIENTE, O PAI DEDICADO e o HOMEM HONESTO que me fizeram ser hoje. Confesso que nessa passagem, as lágrimas quase não me deixam escrever, mas, procuro ser forte, como sempre fui, e com isso, os relatos vão fluindo, ou melhor, naturalmente acontecendo. Antes de agradecer aos meus Professores das primeiras séries iniciais, devo agradecer EM PRIMEIRO LUGAR a minha SAUDOSA MÃE. Pois ela, além de MÃE foi a que mais contribuiu para a minha educação. Minha e dos meus irmãos. Lembro-me que todos os dias, inclusive aos sábados e aos domingos, ela com a sua paciência e maestria me colocava de frente para ela em uma mesa, e com sua caligrafia invejável e admirada por muito, fazia o meu dever de casa. “Só vai brincar quando fizer o dever”! Ordenava ela. Dela, partiu a BASE de tudo que eu haveria de aprender posteriormente. Logo, eu completava 07 anos de idade. Idade de ir para escola. Minha MÃE com todo CUIDADO ORGULHO e ZELO, me matriculava na 1ª Série da já citada Escola. Não lembro bem o dia da matrícula, mas, lembro muito bem os primeiros dias de aulas e da atuação da minha PRIMEIRA e inesquecível Professora Elóia Fernandes de Almeida ou “Dona Elóia” como eu a chamo ainda hoje. Não a vejo há muito tempo, mas sei de suas notícias de perto por meio da sua simpática neta e colega de academia Najara Suyane. Com ela, assim como as demais professoras, aprendi os bons costumes, as primeiras lições, a cobrir os primeiros números, a identificar os “encontros vocálico”, à divisão silábica, as palavras quanto numero de silabas, os dígrafos, as vogais, as consoantes, enfim, a soletrar as primeiras palavras e a identificar e pronunciar os primeiros números. A SEGUNDA Professora foi a também saudosa e inesquecível Professora Antônia Zenilda Maia ou “Dona Zenilda” como também ainda a chamo hoje. Confesso que foi a professora que mais gostava. Através dela, aprendi a desenvolver já naquele tempo, a minha singela oratória e também retórica, e nem sabia eu que na Faculdade de Direito a qual estou cursando hoje, aquele ato de me colocar em pé para ler a lição do dia, diante dos meus colegas, como: a lição de “Miguelito no Foguete”, “As Baratinhas Pintoras” entre outras que não me vem à memória agora, iam me ajudar tanto, frente ao meu curso de Direito. O meu TERCEIRO Professor foi o meu inesquecível amigo e conselheiro de longas datas - Francisco Gomes Brilhante ou “Chico de Estevão” como é conhecido por todos daqui. Ele era uma figura emblemática, por sinal, até hoje se comporta assim. Através dele, aprendi a divisão dos três poderes, quais sejam Legislativos Executivos e Judiciários. Aprendi também, a ler ou “dar” a tabuada, a distinguir um conjunto unitário de um conjunto vazio. Aprendi ainda as quatro operações, quais sejam: Multiplicar, Subtrair, Dividir e Somar entre outras coisas mais que me serviram de exemplos e de experiências para vida... E aqui eu faço duas perguntas, aliás três, a “geração beleza” de hoje. Vocês sabem das quatro operações? E a tabuada? Vocês sabem escreverem corretamente? Duvi-dê Ó dó. Por fim, a minha QUARTA e ultima Professora primária foi a também saudosa e inesquecível Professora - Sebastiana Silvério da Silva, também conhecida como “Dona Loxa.” Na pronúncia deve-se trocar o som de “X” pelo som de “CH”. Essa ultima Professora, era a mais "temida" pela molecada; pelo seu conservadorismo, que por sinal, se matem até hoje. Ela era e ainda é uma das professoras da caligrafia mais “invejável” que tínhamos, tanto assim o era, que alguns alunos de tanto admirá-la acabaram imitando-a. Através dela, aprendi além de identificar os substantivos, aprendi também a distinguir as suas espécies. Aprendi ainda, a identificar algumas palavras tupi-guarani, a grafia das palavras, pois, a mesma, no final de cada aula, fazia o ditado de palavras, onde ao ditar as palavras, nós tínhamos que escrever corretamente, caso alguém escrevesse errado, a mesma na sua correção, além dos “puxões de orelhas”, colocávamos para reescrever a palavra errada por várias vezes. Durante o ditado não era raro aparecerem palavras como Pneumático, Psicologia, Psicanálise entre outras de grafia consideradas difíceis para os moleques daquela idade e daquela época. Feito esse resgate, ou melhor, essa singela homenagem aos meus professores primários, talvez a única que foi feita até então, não poderia terminar, ou melhor, fechar o meu arquivo e guarda-lo novamente nas prateleiras da minha memória, sem antes agradecer de coração, mais uma vez, pela IMPORTANTÍSSIMA contribuição que estes saudosos professores deram a minha educação e na educação da molecada da minha tão sofrida e cerceada geração. Enfim, por ultimo, de maneira ainda emocionada posso dizer aos meus nobres e RARÍSSIMOS LEITORES que ao final do meu relato, no mínimo vocês haverão de tirar duas conclusões: A primeira é que sou um HOMEM SOBREVIVENTE, a outra, é que apesar de ter sido aluno destes PROFESSORES, hoje SOU um ex-aluno PRIVILEGIADO.

Por Aurivânio Andrade. 

Postagem de Evandro Lopes.

0 comentários


EnviarEmoticon

Próxima Proxima
Anterior Anterior