quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Seca deixa 29 reservatórios em nível morto e gera R$ 4 bi de déficit no RN


Carroceiros ainda buscam água no quase seco açude Itans, em Caicó (Foto: Anderson Barbosa/G1) 
Açude Itans, em Caicó, é um dos reservatórios do estado em volume morto  (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Vinte e um reservatórios em volume morto e oito secos. Após cinco anos de seca, esta é a situação de 29 das 47 maiores reservas de água no Rio Grande do Norte. É o que aponta o relatório do Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn), divulgado nesta terça-feira (27). Segundo o levantamento, o volume das águas continua diminuindo.
O relatório apresenta dados colhidos até o dia 27 de setembro nos 47 reservatórios do estado com capacidade superior a cinco milhões de metros cúbicos. O relatório, inclusive, foi utilizado como justificativa para o decreto de situação de emergência por seca do Governo do Estado, publicado neste sábado no Diário Oficial do Estado.
Ainda de acordo com o instituto, outros 10 reservatórios entrarão em volume morto em menos de um ano, caso a estiagem permaneça na próxima estação chuvosa.
"Em termos percentuais, 61% dos açudes do estado já se encontram em volume morto ou secos. Se a estiagem persistir, dentro dos próximos meses, esta porcentagem pode aumentar para 80%", aponta o relatório.
Os dados apontam ainda que, nas condições atuais de uso, dois reservatórios possuem volume suficiente para chegar a 2019 e apenas um entraria 2020 sem estar no volume morto.
Seca no Rio Grande do Norte (Foto: Canindé Soares) 
Seca comprometeu 50% da arrecadação do estado com o setor agropecuário (Foto: Canindé Soares)
Déficit econômico
Além do risco ao abastecimento das cidades potiguares, estiagem causada pela seca afeta diretamente a economia. De acordo com o Governo do Estado, os prejuízos no setor agropecuário já é estimado em algo superior a R$ 4 bilhões. O prejuízo representa uma redução de 50% na contribuição do setor rural para a formação do Produto Interno Bruto do RN.
Ainda de acordo com o Governo, cadeias produtivas do estado foram desestruturadas. A estiagem causou uma frustração, quase por completo, das safras de grãos, tubérculos e demais culturas de subsistência, desestruturou a cadeia produtiva do mel - inviabilizando as exportações - e reduziu a em mais de 30% a produção de milho, arroz, feijão e sorgo.
Abastecimento comprometido A falta de água nos reservatórios tem comprometido o abastecimento da população em todo o estado. De acordo com a Companhia de Águas e Esgotos do estado (Caern), 14 cidades estão em colapso - ou seja, sem nenhuma forma regular de abastecimento - e em outras 79 o fornecimento de água sendo feito por sistema de rodízio.
Em Carnaúba dos Dantas, moradores precisam recorrer à água suja que é fornecida no chafariz público da cidade (Foto: Anderson Barbosa/G1) 
Caminhões-pipa ajudam a garantir o abastecimento em cidades em colapso (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Raio-X das barragens
Maior reservatório do estado com capacidade de 2,4 bilhões de metros cúbicos, a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, está com um volume de 453,4 milhões de metros cúbicos, o que corresponde a 18% do seu volume máximo. Na Barragem de Umari está com 13,82% da sua capacidade. Na vazão atual, o reservatório deve suportar fora do volume morto até agosto de 2017.
Na região do Seridó, o açude Itans está com 2,24% de sua capacidade o que já caracteriza volume morto. O Açude de Cruzeta, na mesma região, com menos de 1% também está em volume morto.
Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do Rio Grande do Norte, tem nível de água crítico em razão da estiagem prolongada.  (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1) 
Maior reservatório do estado, Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, está com 18% do volume (Foto: Anderson Barbosa e Fred Carvalho/G1)

Fonte: G1 RN.
Evandro Lopes.


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