quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Governador diz que PM vai entrar em Alcaçuz e fazer 'paredão humano'

Em entrevista à GloboNews, Robinson Faria falou sobre crise prisional.
No último final de semana, 26 pessoas morreram no presídio em RN.


19/01 - Presos são vistos durante um confronto de facções na penitenciária de Alcaçuz, perto de Natal, no Rio Grande do Norte (Foto: Josemar Gonçalves/Reuters)

O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PMDB), anunciou na tarde desta quinta-feira (19) que policiais militares entrarão na Penitenciária de Alcaçuz para separar as duas facções que se enfrentam no local. Segundo ele, os policiais formarão um "paredão humano".
A intenção, diz o governador, é "permitir a construção de uma parede física para separar o PCC do Sindicato do RN”. Os policiais farão "corrente humana", disse.
A seguir, trechos da entrevista:
Evitar matança
“A curto prazo agora é evitar uma nova briga, uma nova matança entre eles. Por isso nós vamos entrar daqui a pouquinho, a operação vai começar já já. Em um segundo momento vamos transferir os presos das facções para presídios separadamente.”
Desafio
"O Sindicato desafiou o governo, assim coimo o PCC também me desafiou, a minha integridade, se eu tirasse presos da Alcaçuz”.
Negociação?
“Não houve negociação. Até porque ontem eu estava em Brasília, cheguei aqui ontem no final da tarde. Tanto é que o PCC me ameaçou, disse que ia tocar fogo em Natal. A mesma coisa o sindicato. Ou seja, se tivesse tido negociação Natal não estava sendo agora incendiada.”
'Evitar Carandiru 2'
"Naquela ocasião era noite. Eles estavam armados, nós escutamos vários tiros. Se eu ordenasse que a polícia entrasse em Alcaçuz, podia ser um Carandiru 2 [...] A polícia ia entrar, encontrar presos armados, violentos, e iria ter uma matança muito grande, tanto de policiais quanto de apenados. Eu não posso autorizar a polícia a entrar se ela não se sentir segura para entrar.”
'Guerra acabará já já'
“Essa guerra que está sendo agora, que vamos acabar já já, é de armas de pedaço de ferro, de pedaço de cano, do que foi destruído. Não foi negligência, não houve negociação, e não vai haver negociação porque o governador não autoriza negociação com quem quer que seja, nem com PCC, nem com Sindicato do RN.“
Destruíram o presídio
“A polícia entrou, recolheu o que pode recolher, recolheu armas, agora, eles destruíram o presídio. Terá que ser feita toda uma nova reconstrução.”
Por que a polícia não impediu rebelião?
“Nós entramos duas vezes, eu só proibi entrar no sábado à noite porque seria um Carandiru 2. Mas agora não há mais cela. Nós vamos entrar para evitar uma mortandade, essa vingança do sindicato do RN contra o PCC.”
Há risco?
"É claro que existe risco, mas é dentro da lei. A lei faculta o direito de a PM intervir em caso de extremos.”
Ordem: retomar o presídio
"A ordem é retomar a ordem do presídio, fazer uma corrente humana dentro, de policiais, separando eles, para acabar com essa folga de ficarem perambulando, e amanhã se inicia a construção de um paredão, de placas de concreto, para separar até você ter toda a remoção, no estado inteiro, de quem é PCC e quem é sindicato do crime.”
Polícia demorou?
O governador admitiu que achou que a entrada da PM levou muito tempo, mas afirmou que a polícia informou que estava se preparando, e que não poderia ordenar a entrada dos policiais sem que eles estivessem preparados. O governador afirmou que os policias vão permanecer dentro de Alcaçuz para evitar novos confrontos.
Sem negociação
“Não vou negociar. Vamos enfrentar. Não vou fazer nada fora da lei, mas vamos enfrentar, como enfrentamos agora e em todas as rebeliões que já aconteceram.”
Presos desafiam o estado
“É muito difícil, mas temos que ter coragem e enfrentar. Já pedi ao presidente Temer que envie as Forças Armadas para proteger as ruas, a população (...). Eles estão [as facções] desafiando o estado. Cada vez estão mais aparelhados, e fica mais difícil, e o estado vai ficando menor.”

G1.

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