terça-feira, 24 de outubro de 2017

Aluno que colocou fogo em escola no AC era problemático e recebia acompanhamento pedagógico, diz coordenadora

Coordenadora do Núcleo de Ensino da Secretaria de Educação afirma que menino recebia acompanhamento pedagógico desde o início do ano letivo. Adolescente de 14 anos confessou o crime que ocorreu no último sábado (21).

Imagens mostram como a escola era antes de ser incendiada  (Foto: Arquivo pessoal e Divulgação Bombeiros )
Imagens mostram como a escola era antes de ser incendiada (Foto: Arquivo pessoal e Divulgação Bombeiros )

 

O estudante de 14 anos que incendiou a Escola Estadual Rural Vicente Brito de Sousa, no município de Feijó, interior do Acre, no sábado (21), era um menino problemático.
Ele recebia acompanhamento pedagógico da Secretaria de Educação e Esporte (SEE) e da unidade de ensino. Nesta semana mais um encontro estava programado com o adolescente, mas não aconteceu.
A coordenadora geral do Núcleo de Ensino da SEE-AC em Feijó, Cardoci Paiva de Lima, conta que por ele apresentar atitudes que não condiziam com o ambiente, acompanhamentos regulares eram feitos desde o início do ano letivo.
“Era um aluno problemático. Ele tinha o comportamento muito agitado e não compactuava com certas coisas [regras impostas pela escola]”, complementa ela.
“Pelo depoimento dos professores, ele sempre foi um menino agressivo e rebelde em sala de aula. A gente fez muitas conversas com esse menino. Depois disso, segundo o coordenador da escola, ele mudou para melhor. Apesar de não compactuar com certas coisas, a gente nunca imaginou que ele chegaria a esse ponto de incendiar a escola”, pontua a coordenadora geral do Núcleo de Ensino.
Cardoci afirma que o acompanhamento pedagógico envolvia conversas com o menino, escutas do que ele tinha para dizer aos profissionais e ações para dar mais atenção e receptividade. De acordo com ela, antes dessa etapa a assiduidade do estudante melhorou e ele parou de faltar as aulas com frequência diária.
“Conforme essas conversas, ele ia melhorando. Era algo lento e gradual”.
Porém, nesses últimos dias, o estudante começou a apresentar mau comportamento. Na sexta-feira (20), inclusive, a equipe do Núcleo de Ensino esteve na comunidade para o acompanhamento e a escola informou que teve um atrito com um colega dentro de sala de aula e estava agindo estranho.
"Quando nosso grupo foi atendê-lo, ele passou falando palavrões e saiu da escola”, completa a coordenadora.
Escola ficou totalmente destruída (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Escola ficou totalmente destruída (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Reconstrução e medidas

Segundo Cardoci, a Secretaria de Educação e Esporte já fechou contrato com uma empresa e elabora o projeto para reconstruir a unidade de ensino.
A previsão é de que a liberação para as obras seja dada ainda esta semana. “A SEE-AC deve fazer de imediato. Inclusive, a empresa entrou em contato comigo e deve vir aqui [em Feijó] amanhã [terça, 24] para ir ao local”, explica ela.
A coordenadora do Núcleo de Ensino comenta que visitas foram feitas na comunidade. Elas vão se repetir na terça, toda a comunidade escolar será ouvida. A intenção é que pais, alunos, professores e SEE-AC discutam e encontrem um local apropriado para que os quase 100 estudantes possam estudar até a reconstrução da escola. “Queremos evitar prejuízos aos alunos”, declara Cardoci.
O estudante de 14 anos estuda no 8° ano do Ensino Fundamental. Por ser aluno do programa Asas da Florestania, ele não vai ficar sem aula e deve continuar recebendo o ensino escolar dentro do Centro Socioeducativo de Feijó porque a ação presta assistência aos menores infratores. “Ele não vai ficar sem estudar e vamos continuar assistindo-o”, finaliza Cardoci Paiva de Lima.

 

 Carlos da Luz Ribeiro, de 19 anos, ajudou o menor a atear fogo na escola (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Carlos da Luz Ribeiro, de 19 anos, ajudou o menor a atear fogo na escola (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Entenda

Um estudante de 14 anos incendiou a Escola Estadual Rural Vicente Brito de Sousa, no município de Feijó, interior do Acre, após o professor ter chamado atenção do aluno por ele ter chegado atrasado em sala de aula. O prédio, que fica no Ramal Antônio Simplício, teve perda total e o caso ocorreu na madrugada do sábado (21).
A polícia informou que o menor teve a ajuda de Carlos da Luz Ribeiro, de 19 anos. O incêndio deixou quase 100 alunos sem aula e as chamas destruíram todo o material didático, merenda, computadores e outros objetos. Ribeiro foi encaminhado ao presídio e o adolescente ao Conselho Tutelar do município. 

G1 ACRE.

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