quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Data ressalta importância do diagnóstico precoce do câncer em crianças


O Dia Internacional de Luta contra o Câncer na Infância será lembrado amanhã, 15. A data é mais uma oportunidade para chamar a atenção da população sobre a importância do diagnóstico precoce na luta contra a doença, como afirma a onco-hematologista infantojuvenil, Edvis Serafim, que atende crianças e adolescentes assistidos pela Associação de Apoio aos Portadores de Câncer de Mossoró e Região (AAPCMR).
“Passa a ser um momento em que se lembra que existe a doença e que, realmente, é necessário um diagnóstico muito precoce para que o paciente tenha uma sobrevida boa. É mais uma maneira de estar, anualmente ou a cada período, relembrando a existência da doença e daí facilitar o diagnóstico dos pacientes”, comenta.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para o surgimento de 12.500 novos casos da doença em crianças e adolescentes. A necessidade de reforçar a atenção com relação a esse público se justifica também porque, como explica a médica Edvis Serafim, o câncer na infância é mais difícil de ser identificado pela semelhança entre os sintomas da doença com os de outras enfermidades que se manifestam nesse período da vida. “É muito difícil diagnosticar o câncer infantil porque ele não tem sintomas e sinais comuns como os adultos têm, ele se assemelha a muitas outras doenças. É uma mancha roxa, é uma anemia, é uma adenomegalia, que, muitas vezes, estão presentes em outras doenças. Então, sempre tem que ver o paciente, pensar que aquilo pode ser uma determinada doença, mas fazendo diagnóstico diferencial com o câncer”, explica.
De acordo com a onco-hematologista infantojuvenil, se o diagnóstico for realizado precocemente, existir um serviço especializado e o paciente for tratado por um pediatra, as chances de cura hoje são de, aproximadamente, 80%, chegando a ser superiores nos países de primeiro mundo. “Aqui no Brasil nós estamos em cerca de 60% a 70% de cura porque o diagnóstico ainda chega muito tardiamente. Quer dizer, o paciente no lugar de chegar no baixo risco ou no estágio um ou dois, ele chega no estágio três ou quatro e isso diminui muito a sobrevida do paciente, a cura do paciente”, alerta a médica.
Edvis Serafim explica ainda que em crianças e adolescentes a leucemia é o tipo de câncer mais comum. “Isso se confunde muito com outras doenças. É uma coisa bem característica. É um paciente que tem anemia, mas não é uma anemia simples, é uma anemia que apresenta dor óssea, ele fica pálido, apresenta mancha roxa. Então, é um conjunto de coisas, como também às vezes é uma amidalite e por trás tem uma leucemia. Ele fica simulando muitas outras doenças”, esclarece.
Segundo a médica, a forma como o paciente será tratado vai depender do tipo da doença. “O tratamento hoje, basicamente, é feito com quimioterapia. Quanto mais baixo risco o paciente tiver, menos quimioterapia ele toma e mais chances de cura ele tem. Se não, vai para o alto risco, quimioterapia, algumas vezes é necessária radioterapia, mas bem menos do que no passado e chegam até o transplante, se necessário. Mas isso será classificado conforme a gravidade e tipo de leucemia que o paciente tem”, esclarece Edvis Serafim, se referindo à leucemia.
A médica informa que, para o tratamento da criança e do adolescente, hoje em Mossoró existe o serviço de quimio e radioterapia. Já o transplante não é realizado no serviço local, mas fica no comando do médico assistente e o paciente é encaminhado para o transplante. “O paciente não sai para o transplante sem uma orientação. Ele tem todo um guia, através do médico que está lhe atendendo, ele determina, discute com um colega e já transfere para aquela unidade, onde o paciente terá capacidade de receber o tratamento específico”, complementa a médica.
  
Sobre a data
O Dia Internacional de Luta contra o Câncer na Infância foi instituído pela Confederação Internacional de Pais de Crianças com Câncer (ICCCPO) e tem como objetivo promover a conscientização sobre o diagnóstico precoce da doença no público infantojuvenil.

Pacientes infantojuvenis recebem acompanhamento pedagógico
Para dar suporte às crianças e adolescentes em tratamento oncológico, a AAPCMR conta com serviço de casa de apoio para receber pacientes e acompanhantes, além de iniciativas específicas para esse público.
Um dos principais projetos é o da Pedagogia Hospitalar, em funcionamento na Pediatria da Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer (LMECC). Por meio da iniciativa, crianças e adolescentes em tratamento contam com o auxílio de duas pedagogas, cedidas pelo Estado do Rio Grande do Norte, que ajudam na assimilação do conteúdo escolar, uma vez que muitos pacientes infantojuvenis se afastam de suas atividades em razão da luta contra o câncer.

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