segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Diagnóstico precoce da hemorragia pós-parto é essencial.

Especialista explica a importância de iniciar o controle da complicação na primeira hora após o início do sangramento
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A hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais responsáveis pelos altos índices de mortalidade materna em todo o mundo. Atualmente, no Brasil, o número também é bastante elevado: a cada 100 mil bebês nascidos vivos, 64,5 mulheres vão a óbito, sendo a HPP a segunda maior causa dessas mortes no país. O sucesso no tratamento da complicação depende de diversos fatores, entre eles, o diagnóstico precoce, principalmente durante a chamada “Hora de Ouro”, primeira hora após o início do sangramento.
“Esse momento se refere ao período no qual as medidas para controle da hemorragia pós-parto devem ser instituídas, com o objetivo de reduzir os atrasos, que podem levar aos desfechos mais graves, como o óbito materno”, destaca a especialista Samira Haddad, médica obstetra, com doutorado em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
Cada gestante apresenta quadros diferentes na hora do parto, por isso, nem sempre é possível identificar um risco prévio, porém alguns fatores podem aumentar a ocorrência da HPP: presença de cesariana anterior, gemelaridade, placenta prévia (quando cobre a abertura do colo do útero), acretismo placentário (placenta ultrapassa os limites de dentro do útero), uso de ocitocina para condução do trabalho de parto, macrossomia fetal (o feto apresenta mais de 4kg), entre outros.
Entretanto, segundo a especialista, é possível tomar algumas atitudes que auxiliam no diagnóstico precoce de complicações, como:
·         Aferir os sinais vitais (pressão arterial, pulso e temperatura) periodicamente em todos os momentos da gestação, durante e após o parto.
·         Verificar as contrações uterinas, monitorar o feto e a presença de perdas vaginais durante o trabalho de parto.
·         Após o nascimento, avaliar o sangramento puerperal e também a contração do útero.
“A hemorragia pós-parto se instala de maneira abrupta e agressiva na maior parte das vezes, ou seja, o sangramento é volumoso e rápido, podendo levar a grandes perdas de sangue e choque em minutos, por isso é necessária a presença de uma equipe de profissionais capacitados para lidar com essas situações adversas”, ressalta. Além disso, o acesso rápido a medidas de prevenção e tratamento também é essencial.
Atualmente, a opção de terapia mais conhecida para a hemorragia pós-parto é a aplicação intravenosa de ocitocina sintética, uma versão do hormônio naturalmente produzido por parturientes. Entretanto, o medicamento é termo sensível e precisa de refrigeração entre 2ºC e 8ºC, limitando assim o transporte e o armazenamento, motivo possivelmente envolvido na ocorrência de mais mortes em áreas mais afastadas dos centros urbanos.

Uma opção inovadora com potencial de salvar a vida de milhares de mulheres é a carbetocina termoestável, que  demonstrou em estudo clínico comparativo não ser inferior ao padrão atual na prevenção da HPP, sendo, ainda mais resistente a mudanças climáticas e permanecendo eficaz mesmo em altas temperaturas – sua durabilidade é assegurada por pelo menos três anos se armazenada até 30 °C, e por seis meses até 40 °C.

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